segunda-feira, 2 de março de 2015

VESTIDOS DE FESTA: VALENTINO E SUA HISTÓRIA DE SUCESSO E GLAMOUR


Valentino, conhecido como o “Rei do Chique”, tornou-se ícone, um nome respeitado e adorado pelas mais chiques celebridades do planeta, e transformou a história da alta costura. O charme de suas criações encantava pela excelência e qualidade. O grande diferencial do estilista foi justamente fazer uma moda luxuosa, soberba, mas elegante, sem exageros desnecessários. A moda de Valentino seduziu e conquistou tanto celebridades como mulheres normais, e sua marca se tornou uma das mais elegantes e chiques do mundo fashion. Mesmo após a aposentadoria de Valentino, a marca italiana continua a ser uma referência no tapete vermelho, onde muitas celebridades desfilam com vestidos glamourosos com tradicional assinatura em “V”.

A história
Valentino Clemente Ludovico Garavani nasceu no dia 11 de maio de 1932, já com a arte impressa em seu DNA e revelou-se um precoce talento. O menino de Voghera, pequena cidade localizada entre Turim e Milão, ganhou esse nome em homenagem ao maior astro do cinema mudo do início daquele século - o também italiano Rodolfo Valentino - e adorava arquitetura, escultura e pintura, além de ser um competente desenhista. Por conta disso, complementou seus estudos matriculando-se em um curso de desenho de moda no Instituto Santa Maria em Milão. Mas aos 18 anos já estava em Paris, para onde foi com o objetivo de estudar na Câmara Sindical da Alta Costura (Chambre Syndicale de la Haute Couture). E, graças ao primeiro lugar em um concurso de estilismo no ano de 1952 conseguiu um emprego no ateliê de Jean Dessès e, dos cinco anos que lá passou, manteve os belos drapeados e as referências exóticas e muito bem elaboradas.

Em 1957, se despede do mestre e segue o francês Guy Laroche, colega na Maison Dessès, na abertura de seu ateliê próprio, para auxiliá-lo como estilista e também atuar na área comercial. Mas também decide se lançar na moda por conta própria. Volta para a Itália e abre seu próprio estúdio em 1959. Um acontecimento em particular iria mudar sua carreira. O ano era 1960, época de ouro. Em meio a essa efervescência cultural e de glamour, o jovem Valentino despontava no mundo da moda. Em Roma, por conta das filmagens de Cleópatra, a estrela americana Elizabeth Taylor se encanta com o novo estilista e encomenda um vestido branco para a estreia mundial de Spartacus. Isso bastou para Valentino subir mais um degrau rumo á consagração: Taylor foi apenas a primeira de uma longa lista de estrelas, beldades, famosas e socialites que se tornaram suas clientes assíduas.


Pouco depois, em 1961, apresenta a primeira coleção (120 modelos) em Roma, no seu ateliê da Via Condotti, apoiado financeiramente pelo pai. Mas sua primeira coleção seria apresentada oficialmente somente em 1962 em um desfile no Palazzo Pitti na cidade de Florença, então capital da moda italiana. Foi um sucesso. Valentino ainda era um jovem criador em ascensão, mas, muito rapidamente, passou a ser considerado um mestre da alta costura italiana. A explicação para isso é que parece ter “nascido pronto”: diferentemente da maioria dos profissionais em começo de carreira, que está em busca de um estilo próprio e segue vários caminhos até engrenar, aos 20 anos, ele já tinha um talento amadurecido, criando vestidos muito bem equilibrados e exatos nas proporções. Mal havia começado a carreira com a sua luxuosa alta costura, Valentino captou os movimentos do mercado e, na primeira metade dos anos 60, lançou a coleção de prêt-à-porter. Nessa mesma época, o então estudante de arquitetura que viria a ser seu parceiro e sócio por muitos anos, Giancarlo Grammetti, une-se a ele e passa a atuar como diretor comercial da grife, sendo responsável direto pela expansão internacional da marca que se iniciou nesta década.


No ano de 1968, lançou a coleção denominada VALENTINO’S WHITE, onde o famoso “V” apareceu pela primeira vez. A próxima década tem início com o lançamento de sua coleção masculina e feminina “ready-to-wear” em 1972, além da inauguração de suas primeiras boutiques nas cidades de Roma e Milão. Somente em 1975, Valentino realizou seu primeiro desfile na cidade de Paris. Em 1978 lançou seu primeiro perfume (Valentino Classique) em noite de gala no teatro Champs Elisées na cidade de Paris. A expansão da marca VALENTINO continuou com abertura de sofisticadas boutiques nos Estados Unidos e Japão. Nos anos seguintes a marca introduziu em sua linha novos produtos, como por exemplo, jeans, braceletes e colares, camisetas, além de uma linha de decoração que incluía tecidos, estampas, papel de parede e até móveis. Valentino assistiu a França e sua semana de moda, sempre a mais poderosa do mundo, se curvarem aos seus pés. Nos opulentos anos 80, perfeitos para o criador expressar seus luxuosos conceitos, tornou-se o primeiro estilista italiano aceito sem restrições, já que apenas maisons locais (francesas), e desde que cumprissem uma série de pré-requisitos, podiam integrar o tão restrito universo da alta costura e estrangeiros só eram bem-vindos como membros-convidados. Nada mais natural para quem possuía a alta costura como fonte principal de criação e referência para todo o seu trabalho, do prêt-à-porter, passando pelos acessórios até os perfumes.


No final desta década, o estilista realizou um desfile triunfal com uma coleção inspirada no Wiener Werkstätte, movimento artístico do início do século 20 formado por artesãos vienenses, com desenhos geométricos inspirados em mobiliário e arquitetura, bolas gigantes, listras largas e quadrados. Em 1991, um modelo de sua coleção primavera-verão se celebrizou como um protesto à então recém iniciada Guerra do Golfo: o “Vestido da Paz”, um tubo de crepe branco com a palavra “paz” em 14 línguas, bordada na horizontal com pérolas prateadas e cinzas e acompanhado de um mantô curto de cetim branco brilhante com a aplicação de uma pomba de pérolas. A relação de Valentino com o universo dos óculos começou na primeira metade dos anos 90, quando o estilista assinou um acordo de criação, produção e comercialização com a italiana Luxottica e, em 1998, transferiu a licença para a Safilo. Tanto as armações de receituário quanto os óculos solares respiravam o espírito de sofisticação e elegância luxuosa do estilista.


No final dos anos 90, ele vendeu a marca para uma associação industrial comandada por um herdeiro do Grupo Fiat, que pretendia criar um poderoso império de moda. A estratégia não deu muito certo e acabou afundando a grife italiana, que já vinha sofrendo com a falta de recursos para competir no mercado mundial da moda de luxo. Depois de alguns anos de crise, em 2002, a VALENTINO foi adquirida pelo Marzotto Group, conglomerado italiano de marcas de moda que atuava no ramo têxtil desde 1830, que pagou US$ 210 milhões. Com a nova proprietária vieram muitas novidades, como em 2003, quando lançou sua marca jovem, a RED VALENTINO (do inglês, “vermelho”, fazendo uma alusão ao “Vermelho Valentino”) e, pouco depois o aclamado perfume V.


Pouco depois, uma reestruturação do grupo reuniu suas marcas de moda (além de VALENTINO, havia Hugo Boss, M Missoni e Marlboro Classics) em uma empresa independente, batizada de VALENTINO FASHION GROUP, que já nascia com um faturamento de €1.72 bilhões. E, para falar apenas de VALENTINO, a operação foi dividida em quatro frentes de negócios: a primeira é a VALENTINO em si (que compreende as divisões de maior prestígio, como alta costura, prêt-à-porter, acessórios, perfumes, óculos, etc.), a segunda é composta por VALENTINO GARAVANI (divisão de calçados, malas, bolsas e artigos em couro), seguida por VALENTINO ROMA (coleção Prêt-à-Porter mais casual) e a quarta destina-se à marca de difusão RED VALENTINO.


Nos anos seguintes a grife italiana experimentou um grande período de expansão com inauguração de lojas nas cidades de Bangkok, Honolulu, Buenos Aires e Dallas. Além disso, em 2005, firmou um importante acordo para o desenvolvimento de uma linha de decoração de interiores, expandindo assim ainda mais o universo da grife italiana. Em 2008, o estilista se aposentou e deixou a empresa. Mas, nessa altura, a marca VALENTINO já havia entrado para a história da moda. Após a saída do mestre o cargo de diretor de criação da marca foi assumido por Alessandra Facchinetti, que permaneceu pouquíssimo tempo antes de passar o bastão para a dupla Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri. A primeira coleção assinada pela dupla foi extremamente elogiada pela crítica e provou ter conquistado celebridades e famosos, como por exemplo, Jennifer Aniston, que escolheu um vestido da marca para a cerimônia do Oscar em 2009. O sucesso da talentosa dupla chamou a atenção da família real do Qatar, que em julho de 2012, através de seu fundo de investimento adquiriu o VALENTINO FASHION GROUP (que inclui as marcas VALENTINO, MISSONI e MARLBORO CLASSICS) por €700 milhões.


Os ícones
Várias de suas inovações ficarão para sempre inscritas na história da moda. Dentre elas, o logotipo com a letra “V” que, em 1968, passou a aplicar em todas as suas peças de prêt-à-porter, o que originou a estrutura de moda que perdura até hoje, em que o nome do estilista tem um peso decisivo no sucesso de uma casa de moda e a assinatura vale quase tudo. Outra de suas marcas registradas é o “Vermelho Valentino”. Tal qual a italiana e grande rival de Coco Chanel, Elza Schiaparelli, que tinha o rosa choque como a sua “cor oficial”, desde os primeiros dias de trabalho na Maison Dessès, Valentino se encantou pelo vermelho e fez da cor uma de suas assinaturas - na época, frequentava a Ópera de Barcelona e notou a força do vermelho nos figurinos: ao lado do preto e do branco, não havia, para ele, cor mais bela do que o vermelho. E dele nunca mais se separou. O estilista costuma dizer “O vermelho é fascinante, é vida, sangue da morte, paixão, amor, a cura total da tristeza”. Outros ícones de Valentino foram: os vestidos de noite, estampas animais (especialmente de leopardo, zebra e girafa) em preto e branco, bordados, plissados, pregas horizontais e verticais que geram efeitos incomuns e mantô duplo (duas peças no mesmo tom ou em cores contrastantes que se abotoam uma a outra para se tornarem uma só vestimenta, mas também podem ser desmembradas em duas, mais leves).


O adeus de um mito
No dia 23 de janeiro de 2008, tudo ficou diferente nas noites de gala. Valentino Garavani, costureiro número um das celebridades, decidiu se aposentar depois de 45 anos vestindo estrelas como Sophia Loren, Elizabeth Taylor, Jacqueline Kennedy, Farah Diba, Audrey Hepburn (que, apesar do acordo que tinha com a casa Givenchy, sempre que podia queria ser vestida por Valentino) e Julia Roberts, só para citar algumas. Em seu último desfile ele foi aplaudido de pé pelos 800 convidados numa tenda instalada nos jardins do Museu Rodin, em Paris. O estilista formatou uma coleção destacada por tailleurs em tons pastéis e longos vestidos como os que fizeram sucesso entre as principais estrelas de Hollywood. Ao final, o grande estilista saudou os presentes na passarela jogando beijos e abraços. Entre os convidados, destacava-se pelo entusiasmo a atriz Uma Thurman. Na passarela estavam tops como Eva Herzigova e Natalia Vodianova, enquanto na plateia se destacavam Lucy Liu, Miuccia Prada, Alber Elbaz e Emanuel Ungaro. Na passarela, roupas clássicas e impecáveis, dignas do estilista, que entre pretos e brancos não se esqueceu de seu tom favorito: o vermelho. A cor, conhecida como “vermelho Valentino”, apareceu em modelos de decote V de chiffon em 30 reproduções. Em nota oficial ele afirmou: “Eu quero dizer, como fazem os ingleses: Gostaria de sair da festa quando ela ainda está cheia".


Além de ter conquistado a exigente clientela com seu glamour, Valentino também as fascinou com suas frases marcantes, como “o vermelho é o meu preto”. Jacqueline Kennedy, por exemplo, era uma discípula tão “obediente” que se casou com o armador grego Aristóteles Onassis usando um vestido vermelho curto e moderníssimo. Por causa do pedido de Jackie, Valentino estourou no mundo fashion, em 1968. Na semana seguinte ao casamento, ele recebeu mais de 60 pedidos de noiva. O anúncio de aposentadoria do estilista causou tristeza no mundo inteiro, já que os famosos ficaram órfãos dos croquis do italiano - de seus bordados sofisticados, drapeados e plissados perfeitos para vestir as milionárias americanas, condessas italianas e todas as beldades de Hollywood, sua clientela mais fiel. Sua única frustração é não ter vestido a rainha Elizabeth II, a única cliente que lhe faltava.


OS VESTIDOS VALENTINO

VERMELHOS: SUA VERDADEIRA PAIXÃO

OS BRANCOS: ROMÂNTICOS

AZUL: PODEROSO


VERDE:  O LUXO

OS CURTOS







VESTIDOS PRETOS:







Um comentário:

  1. É com muito respeito e admiração que reverencio ao mestre da alta costura,Valentino que dispensa comentários e sim só elogios.

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